Selo recebido do Blog Sinais dos Tempos
No dia 21/07/2008 (vespera de nosso aniversário OFICIAL)
O blog (SInais dos Tempos)
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julio 22, 2008
7 Perseguição aos Cristãos – Saiba mais sobre as coisas terríveis que aconteciam
Essas perseguições são revoltantes (porem a luta do cristão não é contra a carne), mas acho que se alguém se diz ‘cristão’ deve estar ciente dessas coisas ocorridas com os primeiros cristãos, para medir as palavras antes de chamar um irmão na fé de: ‘fracassado’ ou ‘derrotado’. Se fosse nos tempos de hoje muitos diriam que estes que morreram por amor a Cristo, não sabiam usar a fé verdadeira.
A SÉTIMA PERSEGUIÇÃO SOB DÉCIO, EM 249 D.C.
Esta foi ocasionada, em parte, pelo aborrecimento que Décio tinha para com seu antecessor, Felipe, considerado cristão, e também por seu ciúme diante do assombroso avanço do cristianismo. O que ocorria era que os templos pagãos começavam a ser abandonados e as igrejas cristãs tornavam-se repletas.
Estas razões estimularam Décio a tentar a extirpação do nome “cristão”. E, desafortunadamente para o Evangelho, vários erros ocorreram, nesse tempo, dentro da Igreja. Os cristãos achavam-se divididos entre si; os interesses próprios separavam aqueles a quem o amor deveria manter unidos; a virulência do orgulho deu ocasião a uma série de facções.
Os pagãos, em geral, ambicionavam pôr em ação os decretos imperiais e consideravam o assassinato dos cristãos um mérito para si próprios. Nessa ocasião, os mártires foram inumeráveis; relacionaremos, porém, apenas os principais, Fabiano, bispo de Roma, foi a primeira pessoa, em posição eminente, a sentir a severidade dessa perseguição. O falecido imperador havia posto seu tesouro aos cuidados desse homem, devido à sua integridade. Mas Décio, por não encontrar tanto quanto sua avareza o fizera imaginar, decidiu vingar-se do bom prelado. Fabiano foi, então, preso e decapitado em 20 de janeiro de 250 d.C.
Julião, nativo da Cilícia, como nos informa Crisóstomo, foi preso por ser cristão. Posto em uma bolsa de couro, junto com várias cobras e escorpiões, foi lançado ao mar.
Pedro, um jovem muito simpático, tanto pelo seu físico como por suas qualidades intelectuais, foi decapitado por se recusar a sacrificar a Vênus. No julgamento, declarou: “Estou atônito ao ver que sacrificais a uma mulher tão infame, cujas abominações são registradas por vossos próprios historiadores e cuja vida consistiu em ações que vossas próprias leis castigariam. Não oferecerei sacrifício a ela, mas ao verdadeiro Deus apresentarei a oferta aceitável de louvores e orações”. Ao ouvir isto, Optimo, procônsul da Asia, ordenou que o preso fosse estirado na roda de tormento, onde se lhe romperam todos os ossos. Depois, foi decapitado.
Nicômaco, obrigado a comparecer diante do procônsul como cristão, recebeu ordens de sacrificar aos ídolos pagãos. No entanto, ele replicou: “Não posso dar a demônios a reverência devida somente ao Todo-Poderoso”. Esta maneira de falar enfureceu de tal modo o procônsul, que Nicômaco foi posto no potro. Depois de suportar os tormentos por um tempo, retratou-se. Porém, logo depois desta prova de debilidade, entrou em agonia; tombou ao chão e morreu imediatamente.
Denisa, uma jovem de apenas dezesseis anos, ao contemplar este terrível juízo, exclamou: “Oh, infeliz, para que comprar um momento de alívio à custa de uma eternidade de misérias?!” Ao ouvi-la proferir tais palavras, Optimo chamou-a e, ao saber que ela também era cristã, mandou decapitá-la.
André e Paulo, dois companheiros de Nicômaco, sofreram o martírio por apedrejamento em 251 d.C. e morreram invocando o nome de seu Redentor.
Alexandro e Epímaco, de Alexandria, foram presos como suspeitos de serem cristãos. Diante da confirmação, foram golpeados com estacas, rasgados com ganchos de ferro e, finalmente, queimados. Também nos informa um fragmento preservado por Eusébio que quatro mulheres mártires sofreram naquele mesmo dia e no mesmo lugar, mas não da mesma maneira; foram decapitadas.
Luciano e Marciano, dois malvados pagãos versados nas artes mágicas, converteram-se ao cristianismo e, para expiar os erros passados, passaram a viver como eremitas e alimentar-se apenas de pão e água. Depois de um tempo nesta condição, tornaram-se zelosos pregadores e ganharam muitas almas para Jesus. Vindo a perseguição, foram presos e levados diante de Sabino, o governador da Bitínia. Quando lhes interrogaram em nome de que autoridade
pregavam, Luciano respondeu que “as leis da caridade e da humanidade obrigavam todo homem a buscar a conversão de seus semelhantes e a fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para libertá-los dos laços do diabo”.
Havendo Luciano respondido desta maneira, Marciano acrescentou que a conversão deles “havia sido pela mesma graça concedida ao apóstolo Paulo, que, de zeloso perseguidor da Igreja, convertera-se em pregador do Evangelho”.
O procônsul, ao perceber que não podia prevalecer sobre eles no sentido de obrigá-los a renunciar a fé, condenou-os a ser queimados vivos. A sentença foi logo executada.
Trifon e Respício, dois homens ilustres, foram apreendidos como cristãos e encarcerados em Nisa. Tiveram os pés traspassados com cravos; foram arrastados pelas ruas, açoitados, descamados com ganchos de ferro, queimados com tochas, e finalmente decapitados no dia primeiro de fevereiro de 251 d.C.
Ágata, uma bonita dama siciliana, não era tão notada por seus dotes naturais, mas por sua piedade. Tal era a sua formosura que Quintiano, governador da Sicília, apaixonou-se por ela e fez muitas tentativas de vencer sua castidade; todas, porém, sem êxito. A fim de satisfazer mais facilmente suas paixões, colocou a virtuosa dama nas mãos de Afrodica, mulher infame e depravada. Esta miserável usou todos os artifícios para arrastá-la à prostituição; contudo, viu falidos todos os seus esforços, pois a castidade de Ágata era inexpugnável, e ela sabia muito bem que só a virtude poderia dar-lhe a verdadeira felicidade. Afrodica fez saber a Quintiano a inutilidade de seus esforços, e este, enfurecido ao ver seus desígnios frustrados, tornou sua concupiscência em ressentimento. Quando Ágata se confessou cristã, ele decidiu satisfazer-se com a vingança, desde que não podia gratificar-se com a paixão. Por ordens suas, Ágata foi flagelada, queimada com ferros em brasa e descarnada com ganchos de ferro. Ao suportar estas torturas com admirável força, foi posta nua sobre brasas misturadas com vidro, e logo devolvida ao cárcere, onde expirou no dia 5 de fevereiro de 251 d.C.
Cirilo, bispo de Gortyna, foi preso por ordens de Lúcio, governador daquela região, que o exortou a obedecer à ordem imperial, a fazer os sacrifícios e a salvar da destruição sua venerável pessoa de oitenta e quatro anos. O bom prelado respondeu que, como havia ensinado a outros durante muito tempo a salvar suas almas, agora só podia pensar na própria salvação. O digno prelado escutou, sem a menor emoção, a sua sentença, dada com furor; caminhou animadamente até o lugar da execução e sofreu o martírio com total integridade.
Em nenhum lugar a perseguição manifestou-se com tanta ira como na ilha de Creta, pois o governador, sumamente ativo na execução dos editos imperiais, fez correr rios de sangue dos piedosos cristãos.
Babylas, um cristão com educação acadêmica, chegou a ser bispo de Antioquia em 237 d.C., depois de Zebino. Atuou com zelo incomparável e pastoreou a igreja com uma prudência admirável durante os tempos mais tormentosos. A primeira desgraça a ocorrer em Antioquia durante a missão de Babylas foi o cerco orquestrado por Sapor, rei da Pérsia, que, ao invadir toda a Síria, tomou e saqueou essa cidade, entre outras, e tratou os moradores cristãos com maior dureza que os outros; porém, logo foi derrotado por Gordiano.
Depois da morte de Gordiano, o imperador Décio, que o sucedeu, visitou Antioquia e ali expressou o desejo de visitar uma comunidade cristã. Babylas opôs-se absolutamente a isso e não permitiu a sua entrada. O imperador dissimulou momentaneamente a ira, mas logo mandou buscar o bispo e, ao repreendê-lo duramente por sua insolência, ordenou que sacrificasse às divindades pagãs como expiação por sua ofensa. Ao recusar, Babylas foi deixado no cárcere, preso em cadeias, e tratado com a maior severidade. Logo depois, foi decapitado juntamente com três jovens que foram seus alunos. Isto aconteceu em 251 d.C.
Neste mesmo tempo foi encarcerado Alexandro, bispo de Jerusalém, e ali morreu devido à dureza de sua reclusão.
Juliano, um ancião aleijado por causa de uma artrite, foi atado juntamente com Cronión a corcovas de camelos, flagelados cruelmente e logo lançados ao fogo, onde morreram. Também quarenta donzelas foram queimadas em Antioquia, após sofrerem encarceramento e flagelos.
Em 251 d.C., o imperador Décio, depois de erigir um templo pagão em Éfeso, ordenou que todos os habitantes da cidade sacrificassem aos deuses. Esta ordem foi nobremente desprezada por sete de seus próprios soldados:
Maximiano, Marciano, Joanes, Malco, Dionísio, Seraión e Constantino. O imperador, desejoso de que eles renunciassem a fé cristã mediante suas exortações e apelos, deu-lhes um tempo considerável até voltar de uma expedição. Durante a sua ausência, os bravos soldados fugiram e ocultaram-se em uma gruta. Ao regressar e tomar conhecimento do fato, o imperador ordenou que a entrada da caverna fosse fechada, e todos morreram de fome.
Teodora, uma jovem e formosa dama de Antioquia, recusou-se a sacrificar aos deuses de Roma. Foi, por isso, condenada a viver em um bordel, onde sua virtude seria sacrificada à brutalidade e à concupiscência. Dídimo, um cristão, entrou naquele recinto vestido com um uniforme de soldado romano, revelou-se a Teodora e aconselhou-a a fugir disfarçada com aquela roupa, ficando ele em seu lugar. Quando descobriram no bordel um homem no lugar da formosa dama, Dídimo foi levado diante do governador, a quem confessou a verdade. Ao declarar-se cristão, recebeu imediata sentença de morte. Teodora, ao ouvir que seu libertador morreria, rogou perante o juiz e implorou que a sentença recaísse sobre ela. Não obstante, surdo aos clamores dos inocentes e insensível à justiça, o implacável juiz condenou a ambos. Dídimo e Teodora foram decapitados e depois tiveram os corpos queimados.
Secundiano, acusado de ser cristão, era levado ao cárcere quando Veriano e Marcelino indagaram aos soldados que o conduziam: “Para onde levais um inocente?” A pergunta fez com que também fossem presos e, após serem torturados, os três foram pendurados e decapitados.
Orígenes, o célebre presbítero e ensinador da Palavra de Deus em Alexandria, foi preso aos sessenta e quatro anos e largado numa imunda masmorra, totalmente acorrentado, com os pés no cepo e as pernas estiradas ao maximo, durante vários dias seguidos. Foi ameaçado com fogo e torturado com todos os requintes de crueldade inventados pelas mentes mais diabólicas. Durante o seu terrível e prolongado tormento, morreu o imperador Décio. Gallo, seu sucessor, envolveu-se numa guerra com os godos e, com isso, os cristãos tiveram um certo alívio. Orígenes obteve então a liberdade e retirou-se para Tiro, onde ficou até a morte, que lhe sobreveio aos sessenta e nove anos.
Gallo, depois de concluir suas guerras, deparou-se com uma praga no império. Ele ordenou, então, que fossem oferecidos sacrifícios aos deuses pagãos. Esta medida fez com que novas perseguições aos cristãos fossem desencadeadas, desde a capital do império até as províncias mais afastadas. Muitos foram as vítimas da impetuosidade da população, assim como do preconceito dos magistrados. Entre esses mártires estiveram Cornélio, bispo cristão de Roma, e Lúcio, seu sucessor, em 253 d.C.
A maioria dos erros introduzidos na Igreja, nesta época, resultou de se colocar a razão humana em competição com a revelação. Quando, porém, os teólogos mais capazes demonstraram a falibilidade de tais argumentos, as opiniões que se haviam levantado desvaneceram-Se como as estrelas diante do Sol.
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A Historia da Inquisição como você nunca viu antes
Quando a religião reformada começou a difundir a luz do Evangelho por toda a Europa, o papa Inocente III temeu grandemente pela igreja de Roma. Designou então diversos inquisidores, ou pessoas que deveriam inquirir, prender e castigar os hereges – modo como os papistas chamavam os reformados.
Como líder destes inquisidores estava Domingo, canonizado pelo papa, para que a sua autoridade fosse mais respeitável. Domingo e os vários inquisidores estenderam-se por diversos países católicos e trataram os protestantes com muita dureza. Finalmente, o papa, ao concluir que estes inquisidores itinerantes não eram úteis como imaginara, resolveu estabelecer tribunais fixos e regulares da Inquisição. O primeiro destes fóruns foi implantado em Toulouse, e Domingo foi nomeado primeiro inquisidor regular, assim como havia sido o primeiro inquisidor itinerante.
Logo se estabeleceram tribunais da Inquisição por vários países; no entanto, a Inquisição Espanhola foi a mais temida e a que maior poder adquiriu. Até os reis da Espanha, arbitrários em todos os aspectos, aprenderam a temer o poder dos senhores da Inquisição. As horrendas crueldades que estes exerciam obrigaram milhares de pessoas a dissimular seus sentimentos, quando estes diferiam das idéias católicas.
Em 1244, seu poder aumentou ainda mais, graças ao imperador Frederico II, que se declarou amigo e protetor de todos os inquisidores, e publicou estes editos cruéis:
1) Todos os hereges que persistirem em sua obstinação serão queimados.
2) Todos os hereges que se arrependerem serão encarcerados pelo resto da vida.
O zelo do imperador a favor dos inquisidores católicos surgiu devido à notícia, propagada por toda a Europa, de que ele tinha a intenção de renunciar ao cristianismo e tornar-se muçulmano. Por isso o imperador tentou, através do fanatismo extremado, contradizer o boato e mostrar, mediante a crueldade, sua adesão ao papado.
São estes os oficiais da inquisição: três inquisidores, ou juízes, um fiscal, dois secretários, um magistrado, um mensageiro, um receptor, um carcereiro, um agente de posses confiscadas, vários assessores, conselheiros, carrascos, médicos cirurgiões, porteiros, familiares e visitantes sob juramento de guardar segredo.
A principal acusação contra os que se acham sujeitos a este tribunal é a heresia, composta de tudo o que se fala ou escreve contra os artigos do credo ou tradições da Igreja de Roma.
A Inquisição investiga a qualquer um acusado de ser mago, de ler a Bíblia em língua comum, de ler o Talmude dos judeus, ou o Corão de Maomé.
Em todas as ocasiões os inquisidores levam a cabo seus processos com a mais cruel severidade e castigam os “ofensores” com incomparável crueldade. Raras vezes mostram-se misericordiosos com um protestante; e um judeu convertido ao cristianismo está longe de se sentir seguro.
Na Inquisição, uma defesa vale bem pouco para um preso, pois uma mera suspeita é considerada suficiente para a condenação. E, quanto maior a riqueza, maior o perigo. Grande parte das crueldades dos inquisidores deve-se a sua ambição: destroem vidas para possuir riquezas e, sob o pretexto de zelo religioso, saqueiam as pessoas a quem odeiam.
Um preso da Inquisição nunca pode ver o rosto de seu acusador, nem dos que testemunham contra ele. Todas as ameaças e torturas são empregadas para obrigá-lo a acusar a si mesmo, a fim de corroborar, assim, suas evidências.
Proclama-se vingança contra todo aquele que coloca em dúvida a jurisdição da Inquisição, ou que resiste a algum de seus oficiais. Todos os que se lhe opõem sofrem duramente por tal imprudência. A máxima da Inquisição é infundir terror e pavor nos que estão sob o seu poder, a fim de levá-los a obedecer. Alta classe, linhagem e cargos ilustres não constituem proteção frente a seus rigores. Os mais humildes oficiais da Inquisição podem fazer tremer os mais altos dignitários.
Quando condenado, o acusado é duramente açoitado, violentamente torturado, enviado às galeras, ou condenado à morte. E, em todo o caso, confiscam-lhe os bens. Depois do juízo, uma procissão dirige-se ao lugar da execução, cerimônia intitulada auto da fé, ou auto de fé.
Registro aqui um relato de um auto da fé ocorrido em Madri, no dia 30 de maio de 1682:
Os oficiais da inquisição, acompanhados por trombetas, tambores e sua bandeira, desfilaram a cavalo até a praça maior, onde proclamaram, para 30 de junho, a execução da sentença contra os prisioneiros.
Destes, seriam queimados vinte homens e mulheres, e um muçulmano renegado. Cinqüenta judeus, homens e mulheres, que nunca haviam sido encarcerados, arrependidos de seus crimes, foram sentenciados a um longo confinamento e ao uso de um distintivo amarelo. Toda a corte da Espanha estava presente. O grande trono do inquisidor foi instalado numa espécie de estrado muito acima do trono do rei.
Entre os que iam ser queimados encontrava-se uma jovem judia extremamente formosa, de apenas dezessete anos. Encontrava-se ao lado do palanque em que se achava a rainha, e dirigiu-se a esta, no desejo de obter o perdão, com as comoventes palavras: “Grande rainha, não me servirá vossa real presença a favor de minha desgraçada condição? Tenha compaixão de minha juventude, e considerai que estou a ponto de morrer por uma religião que tenho conhecido desde a mais tenra infância!” Sua majestade pareceu compadecer-se muito de sua angústia; porém, desviou os olhos, pois não se atrevia a dizer uma palavra a favor de alguém declarado herege.
Começara a missa, em meio a qual o sacerdote encaminhou-se do altar para junto do cadafalso, e sentou-se numa cadeira ali posta para ele.
Então, o grande inquisidor desceu do anfiteatro vestido com a sua capa e uma mitra. Depois de inclinar-se perante o altar, dirigiu-se ao camarote do rei, acompanhado por alguns de seus oficiais, e levava uma cruz e os evangelhos, juntamente com um livro que continha o juramento pelo qual os reis da Espanha foram obrigados a proteger a fé católica, extirpar os hereges, e sustentar, com todo o seu poder, as atuações e os decretos da Inquisição. Juramento semelhante foi tomado dos conselheiros e de toda a assembléia. A missa começou ao meio dia, e não acabou até as nove da noite, alongada pela proclamação das sentenças pronunciadas em voz alta, um após a outra.
Depois disso, seguiu a queima dos vinte e um homens e mulheres, cuja coragem nesta horrenda morte foi verdadeiramente assombrosa. O rei, próximo dos condenados, pôde ouvir bem seus estertores enquanto morriam. Todavia, não pôde ausentar-se da terrível cena; assisti-la era um dever religioso, e o seu juramento de coroação obrigava o dar sanção, por sua presença, a todos os atos do tribunal.
O que já temos dito pode-se aplicar às inquisições em geral, assim como a da Espanha em particular. A Inquisição de Portugal atua exatamente sob o mesmo plano que a da Espanha, e foi instituída em uma época muito semelhante, e posta sob as mesmas normas. Os inquisidores permitem o uso da tortura apenas três vezes. Porém, nestas três ocasiões, é infligida de maneira tão severa, que o preso morre ou fica para sempre incapacitado, e sofre dolorosamente a cada mudança de clima. Daremos uma ampla descrição dos severos tormentos ocasionados pela tortura, com base no relato de alguém que a sofreu as três vezes; porém, sobreviveu.
Na primeira tortura, entraram três carrascos que, ao deixar o condenado apenas de calção, puseram-no de costas sobre uma espécie de tarimba. Ao começarem a operação, puseram-lhe ao redor do pescoço um anel de ferro e outros ao redor de cada pé, a fim de fixá-lo na tarimba. Por estarem, assim, estirados os seus membros, ataram-lhe duas cordas ao redor de cada coxa que, ao passar sob a tarimba por meio de furos, foram, a um sinal combinado, esticadas ao mesmo tempo por quatro homens.
Não é difícil imaginar as dores que lhe sobrevieram de imediato. As cordas, pouco espessas, cortaram-lhe a carne até os ossos, e fez brotar sangue em oito lugares diferentes. Ao persistir o preso em não confessar o que pediam os inquisidores, as cordas foram esticadas, da mesma maneira, quatro vezes sucessivas.
A aplicação da segunda tortura foi como segue: forçaram-lhe os braços para trás, de forma que as palmas das mãos ficaram viradas para fora, atrás dele. Então, com uma corda que as unia pelo pulso, e que era erguida por um torno, juntavam-nas gradualmente entre si, até se tocarem os dorsos das mãos, que estiveram paralelas. Como conseqüência desta violenta contorção, seus ombros deslocaram-se, e ele lançou uma quantidade considerável de sangue pela boca. Este suplício repetiu-se três vezes. Depois disso, foi levado de volta à masmorra, onde o cirurgião recolocou-lhe no lugar os ossos deslocados.
Dois meses após a segunda tortura, o preso, meio recuperado, foi novamente levado à câmara de torturas, e ali, pela última vez, sofreu outro tipo de tormento, infligido duas vezes sem interrupção. Os carrascos puseram-lhe ao redor do corpo uma grossa cadeia de ferro que, ao cruzar o peito, terminava nos pulsos. Puseram-no de costas contra uma grossa tábua, onde havia em cada extremidade uma roldana, através da qual corria uma corda atada ao final da cadeia em seus pulsos. Então o carrasco, ao estender a corda através de um tomo que estava a certa distância, atrás dele, esticava ou espremia seu estômago, conforme a tensão dos extremos das cadeias. Torturaram-no de tal modo que lhe deslocaram totalmente os pulsos e os ombros, que logo foram reencaixados pelo cirurgião. Os desalmados, porém, não satisfeitos, aplicaram o tormento uma segunda vez, e ele o suportou – embora mais doloroso – com a mesma força e resolução, foi depois mandado de volta à masmorra, assistido pelo cirurgião, que lhe tratou as feridas e ajustou-lhe os ossos deslocados. Ali ficou até o seu auto da fé, ou libertação do cárcere, de onde saiu incapacitado e doente pelo resto da vida.
Autor: John Fox
A SEXTA PERSEGUIÇÃO SOB MAXIMINO, EM 235 D.C.
Em 235 d.C., começou, sob o comando de Maximino, uma nova perseguição. O governador de Capadócia, Seremiano, fez todo o possível para exterminar os cristãos daquela província.
As principais pessoas a morrer sob este reinado foram: Pontiano, bispo de Roma (seu sucessor, um grego chamado Anteros, ofendeu o governo ao reconhecer os atos dos mártires); Pamaquio e Quirito, senadores romanos, juntamente com suas famílias; Simplício, também senador; Calepódio, um ministro cristão que foi lançado ao rio Tiber; Martina, uma nobre e formosa donzela; e Hipólito, um prelado cristão que foi atado a um cavalo selvagem e arrastado até morrer.
Durante esta perseguição, suscitada por Maximino, muitos cristãos foram executados sem julgamento e enterrados indiscriminadamente em montões; às vezes, cinqüenta ou sessenta eram jogados juntos em uma vala comum, sem a menor decência.
Ao morrer o tirano Maximino, em 238 d.C., substituiu-o Gordiano. Durante seu reinado, assim como no de Felipe, seu sucessor, a Igreja esteve livre das perseguições num período de mais de dez anos. Porém, em 249 d.C., por instigação de um sacerdote pagão, e sem conhecimento do imperador, desatou-se em Alexandria violenta perseguição.
Perseguições Papais e as raizes da intolerancia religiosa dos nossos dias
Até agora, nossa história sobre as perseguições limitou-se principalmente ao mundo pagão. Chegamos, então, a um período em que a perseguição, sob a roupagem do cristianismo, cometeu atrocidades piores que as que infamaram os anais do paganismo.
Ao deixar de lado as máximas e o espírito do Evangelho, a igreja papal, armada com o poder da espada, humilhou a Igreja de Deus e devastou-a durante vários séculos, num período apropriadamente conhecido como “a idade das trevas”. Os reis da Terra deram o seu poder à “Besta”, e sujeitaram-se a ser pisoteados pelas miseráveis artimanhas que amiúdo ocuparam o trono papal, como no caso de Henrique, imperador da Alemanha. A tempestade da perseguição papal abateu-se primeiro contra os valdenses, na França.
A PERSEGUIÇÃO CONTRA OS VALDENSES, NA FRANÇA.
Após o papa introduzir várias inovações na Igreja e cobrir o mundo cristão com trevas e superstições, uns poucos, ao dar-se conta da tendência perniciosa de tais erros, decidiram exibir a luz do Evangelho em sua real pureza. Empenharam-se em dispersar aquelas nuvens estendidas por uns astutos sacerdotes, que pretendiam cegar o povo e embaçar o seu verdadeiro resplendor.
O principal entre estes foi Berengário que, por volta do ano 1000, pregou denodadamente as verdades do Evangelho, segundo sua primitiva pureza. Muitos, convencidos, concordaram com a sua doutrina e foram, por isso, chamados berengários. Este defensor do Evangelho foi sucedido por Pedro Bruis, que pregou em Toulouse, sob a proteção de um conde chamado Ildefonso. Todos os pontos dos reformadores, com as suas razões para separar-se da igreja de Roma, foram publicados em um livro escrito por Bruis, sob o título de “Anticristo”.
No ano 1140 de nossa era, o número de reformados era muito grande, e a probabilidade de seu crescimento alarmou o papa. Preocupado, ele escreveu a vários príncipes, a fim de pedir-lhes que desterrassem de seus domínios os reformados e empregassem muitos eruditos para escrever contra as suas doutrinas.
Em 1147, eram chamados de henericianos, devido a Henrique de Toulouse, seu mais eminente pregador. E, por causa da não aceitação de religiosa, além das que se podiam deduzir das Escrituras, o partido deu-lhes o nome de apostólicos. Ao final, Pedro Waldo, ou Valdo, natural por sua piedade e erudição, veio a ser um enérgico oponente do então, os reformados receberam a alcunha de valdenses.
O papa Alexandro III, informado destes sucessos pelo bispo de Lyon, Valdo e seus seguidores, e ordenou ao seu informante que os varresse, se possível fosse, da face da Terra. Assim começaram as perseguições papais contra os valdenses.
As atividades de Valdo e dos reformados suscitaram a primeira aparição dos inquisidores, pois o papa Inocente III conferiu a alguns monges a autoridade de inquirirem, para que fizessem a investigação e entregassem os reformados ao julgamento. O processo era breve, pois qualquer acusação era considerada culpa, e nunca se concedeu um juízo justo a um acusado.
O papa, ao dar-se conta de que esses meios cruéis não surtiam o efeito desejado, enviou vários monges eruditos com a missão de pregar aos valdenses e convencê-los do erro de suas opiniões. Entre estes havia um chamado Domingo, que se mostrou muito zeloso da causa papal. Ele criou uma instituição que, por causa de seu nome, foi chamada de a ordem dos frades dominicanos. Os membros desta instituição tomaram-se, desde então, os principais inquisidores do mundo. O poder deles era ilimitado. Levantavam-se contra as pessoas como bem lhes parecia, sem considerar idade, sexo ou nível social. Infames que eram, consideravam válidas quaisquer acusações; inclusive cartas anônimas, que eram tidas como suficiente evidência.
Ser rico era um crime equivalente à heresia. Muitos dos que tinham dinheiro eram acusados de hereges, para que fossem obrigados a pagar por suas opiniões.
Os mais queridos amigos e parentes mais próximos não podiam ajudar, sem risco, a alguém que estivesse encarcerado por questões religiosas. Quem lhes desse até mesmo um copo de água caía sob a acusação de favorecer os hereges, e era perseguido. Nenhum advogado ousava defender o seu próprio irmão, e a maldade dos inquisidores ia além da tumba: exumava-se os ossos dos mortos e os queimava como exemplo para os vivos. Se alguém, no leito de morte, era acusado de ser um seguidor de Valdo, suas posses eram confiscadas, e o herdeiro, privado de sua herança. Alguns foram enviados a Terra Santa, enquanto os dominicanos se apoderavam de suas casas e propriedades. Estas perseguições persistiram durante vários séculos, sob diferentes papas e outros grandes dignitários da Igreja Católica.
Autor: John Fox
O Livro dos Mártires
Ed: CPAD
inquisição tempos negros que jamais esperamos que voltem- A QUINTA PERSEGUIÇÃO SOB SEVERO, EM 192 D.C.
Severo, recuperado de uma grave enfermidade após haver recebido cuidados de um cristão, chegou a ser um grande benfeitor dos cristãos em geral. Ao prevalecer, porém, os preconceitos e a fúria da multidão ignorante, foram postas em ação leis obsoletas em relação aos adeptos do cristianismo. O avanço do movimento alarmava os pagãos e reavivava o velho hábito de se culpar os cristãos pelas desgraças acidentais que sobrevinham. Esta perseguição desencadeou-se em 192 d.C.
Embora rugisse a malícia persecutória, o Evangelho resplandecia fulgurantemente; firme como uma rocha, resistia com êxito aos ataques dos inimigos. Tertuliano, que viveu nessa época, informa-nos que, se os cristãos houvessem se retirado em massa dos territórios romanos, o império teria ficado grandemente despovoado.
Victor, bispo de Roma, sofreu o martírio no primeiro ano do terceiro século, em 201 d.C. Leônidas, pai do célebre Orígenes, foi decapitado por Cristiano. Muitos dos ouvintes de Orígenes também foram martirizados; em particular dois irmãos, Plutarco e Sereno. Um outro Sereno, e também Herón e Heráclides, foram decapitados. Com Rhais deu-se o seguinte: derramaram-lhe breu fervente sobre a cabeça, e logo o queimaram, como também a sua mãe Marcela. Potainiena, irmã de Rhais, foi executada da mesma forma que ele. Entretanto, Brasílides, oficial do exército, que recebeu ordens para presidir a execução, converteu-se ao Evangelho.
Quando pediram a Brasílides que fizesse um certo juramento, afirmou que não poderia jurar pelos ídolos romanos, porque era cristão. Cheia de estupor, a multidão não podia crer no que ouvia; porém, após confirmar o que dissera, ele foi arrastado à presença do juiz, lançado no cárcere e, pouco depois, decapitado.
Irineu, bispo de Lyon, nascera na Grécia e recebera uma educação esmerada e cristã.
Supõe-se, em geral, que o relato das perseguições em Lyon tenha sido escrito por ele mesmo. Sucedeu ao mártir Potino, como bispo de Lyon, e pastoreou com grande discrição sua comunidade cristã; opunha-se fervorosamente às heresias em geral e, por volta de 187 d.C., escreveu um célebre tratado contra as mesmas. Victor, bispo de Roma, desejoso de impor ali a observação da Páscoa, ao preferir este a outros lugares, provocou algumas desordens entre os cristãos. De maneira particular, Irineu escreveu-lhe uma epístola sinódica, em nome das igrejas galicanas.
Este zelo pelo cristianismo acabou por destacá-lo como objeto de ressentimento diante do imperador, o que lhe custou à decapitação em 202 d.C.
As perseguições, ao se estenderem à África, provocaram a morte de muitos cristãos. Mencionaremos os mais destacados entre eles:
Perpétua, de aproximadamente vinte e dois anos, casada. Com ela sofreram Felicitas, também casada e em adiantado estado de gestação, e Revocato, escravo e catecúmeno de Cartago. Outros presos destinados a sofrer nessa ocasião foram Satumino, Secúndulo e Satur. No dia marcado para a execução deles, foram levados ao anfiteatro. A Satur, Secúndulo e Revocato mandaram que corressem entre os domadores das feras. Estes, dispostos em duas fileiras, flagelavam-nos severamente enquanto corriam. Felicitas e Perpétua foram despidas e expostas a um touro bravo, que se lançou primeiro contra Perpétua, deixando-a inconsciente; logo se arremessou contra Felicitas, e a içou terrivelmente pelos chifres. Como ambas continuassem vivas, o carrasco atravessou-as com uma espada. Revocato e Satur foram devorados pelas feras; Satumino foi decapitado, e Secúndulo morreu no cárcere. Estas execuções aconteceram em março de 205 d.C. Esperato e outros doze foram decapitados, e o mesmo aconteceu com Androcles, na França. Asclepíades, bispo de Antioquia, sofreu muitas torturas, mas não foi morto. Cecília, jovem dama de uma boa família em Roma, casada com um cavaleiro chamado Valeriano, ganhou o marido e o irmão para Jesus, que foram por isso decapitados. O oficial que os levou à execução foi convertido por eles e sofreu a mesma sorte. A dama foi lançada despida em um banho fervente e, após permanecer ali um tempo considerável, foi decapitada. Isto aconteceu em 222 d.C.
Calixto, bispo de Roma, sofreu o martírio em 224 d.C, mas não há registro sobre a forma de sua morte. Urbano, bispo de Roma, sofreu a mesma sorte em 232 d.C.
SAIBA FATOS INÉDITOS SOBRE A A NONA PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS SOB AURELIANO, EM 274 D.C.
Eis os dois mártires desta perseguição:
Félix, bispo de Roma, que assumiu o cargo em 274 d.C., foi a primeira vítima da petulância de Aureliano, ao ser decapitado no dia vinte e dois de dezembro do mesmo ano.
Agapito, um jovem cavalheiro que vendera suas possessões e dera o dinheiro aos pobres, foi preso como cristão, torturado, e logo decapitado em Praeneste, cidade que dista um dia de viagem de Roma.
Foram eles os únicos mártires registrados durante este reinado, que tão cedo viu o seu fim, quando foi o imperador assassinado em Bizâncio por seus próprios criados.
Aureliano foi sucedido por Tácito, que foi seguido por Probo, e este, por Caro. Quando este último foi morto por um raio, sucederam-no os seus filhos Carnio e Numeriano. Durante todos estes reinados a Igreja teve paz.
Diocleciano ascendeu ao trono imperial em 284 d.C. No princípio, mostrou grande favor aos cristãos. No ano 286 d.C., fez sociedade com Maximiano. Alguns cristãos foram mortos antes que se desatasse uma perseguição geral. Dentre eles destacam-se os irmãos Feliciano e Primo.
Marco e Marceliano eram gêmeos, naturais de Roma e de nobre linhagem. Seus pais eram pagãos, porém os tutores responsáveis por sua educação criaram-nos como cristãos. Sua constância venceu os que desejavam vê-los convertidos ao paganismo; seus pais e toda a família converteram-se à fé que antes reprovavam. foram martirizados ao serem atados a estacas, com os pés traspassados por cravos. Depois de permanecer nesta situação um dia e uma noite, foram transpassados com lanças, que lhes puseram fim aos sofrimentos.
Zoe, a mulher do carcereiro que cuidou dos mártires acima mencionados, converteu-se através deles. Foi por isso pendurada numa árvore com um fogo de palha sob si. Seu corpo foi lançado a um rio, atado a uma pedra, para que afundasse.
No ano 286 d.C., teve lugar um acontecimento dos mais notáveis registrados nos anais da Igreja. Uma legião de soldados, composta de seis mil seiscentos e sessenta seis homens, era totalmente constituída por cristãos. Era chamada Legião Tebana porque os homens haviam sido recrutados em Tebas. Estiveram alojados no Oriente até que o imperador Maximiano ordenou que se dirigissem às Gálias, a fim de o ajudarem contra os rebeldes de Borgonha. Passaram os Alpes, entraram nas Gálias, sob as ordens de Maurício, Cândido e Exupémio, seus dignos comandantes, e finalmente reuniram-se ao imperador.
Nesta ocasião, Maximiano ordenou um sacrificio geral, que deveria ser assistido por todo o exército. Também determinou um juramento de lealdade e de auxílio na extirpação dos cristãos das Gálias. Alarmados diante de tais ordens, cada um dos componentes da Legião Tebana recusou-se, por completo, a sacrificar e fazer os juramentos propostos. Extremamente enfurecido com a recusa, Maximiano ordenou que toda a legião fosse dizimada, isto é, que selecionassem um de cada dez homens, e os matassem à espada. Após a execução da ordem sanguinária, o restante permaneceu inflexível; por isso deu lugar à segunda dizimação: um de cada dez homens dos que ficaram vivos morreu de igual modo.
Este segundo castigo não teve maiores efeitos que o primeiro; os soldados mantiveram-se firmes em sua decisão e em seus princípios. Porém, por conselho de seus oficiais, declararam fidelidade ao seu imperador. Poder-se-ia pensar que isso abrandaria o soberano, mas o efeito foi contrário. Encolerizado diante da perseverança e unanimidade dos soldados, determinou que toda a legião fosse morta. A ordem foi executada pelas outras tropas, que os despedaçaram com suas espadas em 22 de setembro de 286 d.C.
Alban, que deu nome a St. Alban’s, em Hertfordshire, foi o primeiro mártir britânico. A Inglaterra havia recebido o Evangelho de Cristo através de Lúcio, o primeiro rei cristão; porém, não sofreu a ira da perseguição até muitos anos depois. Alban era originalmente pagão, mas foi convertido através de Anfíbalo, um evangelista, a quem deu refúgio por causa de sua religião. Os inimigos de Anfíbalo, ao inteirar-se do lugar onde estava escondido, chegaram à casa de Alban. A fim de facilitar a fuga do mensageiro de Deus, Alban apresentou-se como a pessoa a quem buscavam.
Descoberto o engano, o governador ordenou que o açoitassem, e o sentenciou à decapitação no dia 22 de junho de 287 d.C. Assegura-nos o conceituado Beda que, nesta ocasião, o carrasco converteu-se subitamente ao cristianismo e pediu permissão para morrer por Alban ou com ele. Ao obter sua segunda petição, foram ambos decapitados por um soldado, que assumiu voluntariamente o papel de carrasco. Isto aconteceu no dia vinte e dois de junho de 287 d.C., em Verulam, agora St. Alban’s, em liertfordshire, onde foi erigida uma magnífica igreja em sua memória, no tempo de Constantino, o Grande. Destruído nas guerras saxônicas, o nobre edifício gótico foi reconstruído por Offa, rei de Mércia, e junto a ele levantou-se um monastério, onde ainda é visível parte de suas ruínas.
Fé, uma mulher cristã da Aquitania, França, foi assada sobre uma grade de ferro e depois decapitada em 287 d.C.
Quintin era um cristão natural de Roma; porém, decidiu empreender a propagação do Evangelho nas Gálias com um tal Luciano, e pregaram juntos em Amiens. Luciano dirigiu-se a Beaumaris, onde foi martirizado. Quintin permaneceu em Picardia e mostrou grande zelo em seu ministério. Preso como cristão, foi estirado com roldanas até que se lhe deslocassem os membros. Seu corpo foi dilacerado com açoites de arame farpado, e depois derramaram-lhe óleo fervente sobre a carne viva. Suas faces e axilas foram queimadas com tochas. Após tanta tortura, foi enviado de volta à masmorra, onde morreu no dia 31 de outubro de 287 d.C. Seu corpo foi lançado ao rio Somme.
Saiba como a inquisição tentou impedir as pessoas de receberem a Palavra de DEUS – ALGUMAS ATROCIDADES PARTICULARES DA INQUISIÇÃO REVELADAS POR UM ACONTECIMENTO SINGULAR
Quando, no começo do presente século, a coroa da Espanha foi disputada por dois príncipes, a França pôs-se ao lado de um dos adversários, e a Inglaterra, do outro.
O duque de Berwick, filho natural de Jacobo II, que abdicara a coroa da Inglaterra, mandou as forças espanholas e francesas, e derrotou os ingleses na célebre batalha de Almansa. O exército foi, então, dividido em duas partes: uma de espanhóis e franceses, que, comandada pelo duque de Berwick, dirigiu-se até Catalunha; e o segundo corpo, só de tropas francesas, comandado pelo duque de Orleans, lançou-se à conquista de Aragão.
Quando as tropas acercaram-se da cidade de Zaragoza, os magistrados ofereceram as chaves ao duque de Orleans. Este, porém, tachou-os altivamente de rebeldes, e recusou aceitar as chaves, pois tinha ordem de entrar na cidade por uma brecha.
Assim, fez uma fenda na muralha com o seu canhão, e entrou por ela com todo o seu exército. Quando estabeleceu a ordem na cidade, foi-se para submeter outras populações, e deixou ali uma forte guarnição, tanto para atemorizá-la, como para defendê-la, sob o comando de seu tenente geral, M. de Legal. Este cavalheiro, mesmo criado como católico, era totalmente livre de superstições; reunia grandes talentos e coragem, e era um oficial capaz, além de completo cavalheiro.
O duque antes de partir, ordenara a imposição de pesados impostos à cidade, da seguinte forma:
1. Que os magistrados e principais habitantes pagassem mil coroas, por mês, para a mesa do duque.
2. Que cada casa pagasse uma pistola, o que daria a soma de 18.000 pistolas mensais.
3. Que cada convento ou monastério pagasse uma contribuição proporcional às suas riquezas e rendas.
4. Estas duas últimas contribuições seriam apropriadas à manutenção do exército.
O dinheiro imposto aos magistrados, aos principais habitantes, e a cada casa, foi pago no ato; porém, os arrecadadores, ao apresentar-se aos diretores de conventos e monastérios, encontraram clérigos totalmente indispostos a dar a sua contribuição.
Eis as contribuições impostas ao clero:
O colégio dos jesuítas deveria pagar 2.000 pistolas; os carmelitas, 1.000; os agostinianos, 1.000; os dominicanos, 1.000.
M. de Legal enviou aos Jesuítas uma ordem para que pagassem imediatamente. O superior dos jesuítas respondeu que a petição de pagamento do clero ao exército contrariava todas as isenções eclesiásticas, e que não conhecia algum argumento que autorizasse tal coisa. M. de Legal enviou, então, uma companhia de dragões que acampou no colégio, com a sarcástica mensagem:
“Para convencê-lo da necessidade do pagamento, envio ao seu colégio quatro argumentos poderosos, tirados do sistema da tática militar. Assim, espero não ser preciso outra admoestação adicional para dirigir sua conduta”.
Estes procedimentos deixaram perplexos os jesuítas, que enviaram um mensageiro à corte, ao confessor do rei, que era de sua ordem. Porém, os dragões foram mais apressados em saquear e destruir que o mensageiro em sua viagem, de modo que os jesuítas, ao contemplarem que tudo era destruído e arruinado, acharam melhor acertar a questão de forma amistosa, e pagar o que lhe pediam, antes do regresso de seu mensageiro. Os agostinianos e carmelitas, advertidos do sucedido aos jesuítas, foram prudentes e pagaram. Desta maneira, escaparam ao estudo dos argumentos militares e ao ensinamento de tática por parte dos dragões.
Contudo, os dominicanos, que eram todos familiares da Inquisição, ou agentes dependentes dela, imaginaram que aquelas mesmas circunstâncias serviriam para protegê-los. Enganavam-se, porém, pois M. de Legal não temia nem respeitava a Inquisição. O diretor dos dominicanos enviou-lhe uma mensagem, a fim de conscientizá-lo que sua ordem era pobre, e que não tinha dinheiro algum para as contribuições. Dizia assim: “Toda a riqueza dos dominicanos consiste nas imagens de prata de apóstolos e santos, de tamanho natural, que estão na igreja, e seria sacrilégio entregá-las”.
Esta insinuação objetivava espantar o comandante francês, que, pensavam os inquisidores, não ousaria ser tão profano a ponto de desejar a posse dos preciosos ídolos.
Todavia, ele enviou uma mensagem de que as imagens de prata seriam um admirável substituto do dinheiro, e mais úteis em sua posse que na dos dominicanos, e concluiu: “Porque enquanto vocês as conservarem assim, em nichos, estarão inúteis e imóveis, sem proveito algum para a humanidade, ou sequer a vocês. Mas, em minhas mãos, serão úteis. Eu as colocarei em movimento, pois tenciono fazer com que viajem como os apóstolos, e sejam de benefício em lugares variados, e circulem para serviço universal da humanidade”.
Os inquisidores ficaram atônitos diante deste tratamento, que jamais esperavam receber, mesmo de cabeças coroadas. Por isso, decidiram entregar as imagens em procissão solene, para suscitar no povo unia rebelião. Assim, os frades receberam ordem de dirigir-se à casa de Legal com os apóstolos e santos de prata, com voz de lamento, círios acesos nas mãos, e clamavam amargamente por todo o caminho: “Heresia! Heresia!”.
M. de Legal, ao inteirar-se dessa atuação, ordenou que quatro companhias de granadeiros se alinhassem na rua que levava a sua casa, e que cada granadeiro tivesse seu mosquete carregado numa das mãos, e um círio aceso na outra, de modo que as tropas pudessem repelir a força com a força, ou fazer honras à farsa.
Os frades fizeram tudo o que puderam para suscitar um tumulto; porém, o povo temia demais às tropas armadas, para fazê-lo. Por isso, as imagens de prata foram entregues a M. de Legal, que as enviou à casa da moeda, para que fossem fundidas imediatamente.
Ao fracassarem na tentativa de começar uma rebelião, os inquisidores decidiram excomungar M. de Legal, caso não liberasse de seu encarceramento na casa da moeda os preciosos santos de prata, antes que fossem fundidos ou mutilados. O comandante francês recusou, em absoluto, liberar as imagens, e respondeu que iam, desde logo, viajar e fazer o bem. Perante isso, os inquisidores redigiram um documento de excomunhão e ordenaram ao secretário que fosse lê-lo a M. de Legal.
O secretário executou fielmente o seu oficio, ao ler a excomunhão de maneira clara e compreensível. O comandante francês escutou-o com grande paciência, e cortesmente disse-lhe que daria sua resposta no dia seguinte.
Quando o secretário do santo oficio partiu, M. de Legal mandou seu secretário preparar um documento de excomunhão exatamente igual ao enviado pela Inquisição; porém, que constasse em lugar de seu nome o dos inquisidores.
Na manhã seguinte, ordenou que quatro regimentos se armassem para acompanhar seu secretário, e fazer conforme ele ordenasse.
O secretário foi à Inquisição e insistiu para ser ouvido, o que conseguiu, depois de muitas discussões. Assim que entrou, leu, em voz audível, a excomunhão enviada por M. de Legal contra os inquisidores. Estes estavam todos presentes, e ouviram atônitos, pois nunca encontraram alguém que ousasse atuar de forma tão atrevida. Bradaram contra M. de Legal como herege, e disseram: “Isto é um insulto dos mais ousados contra a fé católica”. Porém, para maior surpresa, o secretário francês disse-lhes que teriam de sair de sua atual morada, pois o comandante acamparia suas tropas na sede da Inquisição, por ser o lugar mais cômodo de toda a cidade.
Ao ouvir aquilo, os inquisidores clamaram aos gritos. Então, o secretário colocou-os sob forte custódia, e enviou-os ao lugar que M. de Legal lhes havia reservado. Ao ver como iam as coisas, os inquisidores pediram para reunir seus pertences pessoais, o que lhes foi concedido; dirigiram-se a Madri, onde se queixaram amargamente ao rei. O monarca, porém, respondeu que não lhes podia dar satisfação alguma, pois as injúrias que haviam recebido eram das tropas de seu avô, o rei da França, e só com a ajuda delas ele poderia ficar firmemente estabelecido no reino. “Se tivessem sido minhas próprias tropas, seria aplicado o castigo; porém, por serem francesas, não posso exercer autoridade alguma”.
Neste ínterim, o secretário de M. de Legal havia aberto todas as portas da sede da Inquisição, e liberado os presos, que eram em torno de quatrocentos. Dentre estes, sessenta belas jovens, que compunham o harém dos principais inquisidores.
Esta descoberta, que deixou exposta a perversidade dos inquisidores, muito alarmou o arcebispo. Ele pediu a M. de Legal que enviasse as mulheres ao seu palácio, onde ele cuidaria apropriadamente delas. Ao mesmo tempo, publicou uma censura eclesiástica contra todos os que ridicularizaram ou censuraram o santo oficio da Inquisição.
O comandante francês enviou recado ao arcebispo com a informação de que os presos ou haviam fugido, ou estavam tão bem escondidos por seus amigos, inclusive por seus próprios oficiais, que era impossível recuperá-los, e que, havendo a Inquisição cometido tais atrocidades, deveria suportar sua exibição pública.
Alguns podem sugerir que é coisa estranha às cabeças coroadas e os eminentes nobres não tratarem de esmagar o poder da Inquisição e reduzir a autoridade daqueles eclesiásticos tiranos, de cujas faces implacáveis não estavam seguros nem suas famílias nem eles mesmos.
Contudo, por assombroso que seja, a superstição havia sempre prevalecido contra o senso comum e conspirado contra a razão. Desde então, houve um príncipe que tratou de reduzir a autoridade da Inquisição; perdeu, porém, a vida antes de ser rei, e antes de possuir poder para fazê-lo, pois bastou a sugestão de suas intenções para que fosse destruído.
Este era o mui gentil príncipe Dom Carlos, filho de Felipe II, rei da Espanha, e neto do célebre imperador Carlos V. Dom Carlos possuía todas as boas qualidades de seu avô, e nenhuma das más de seu pai; era um príncipe experiente, erudito e gentil. Tinha suficiente consciência para ver os erros do papado e aborrecia a Inquisição. Manifestou-se em público contra esta instituição; ridicularizava a afetada piedade dos inquisidores, e fez o que pôde para denunciar suas ações atrozes; declarou, inclusive, que, após sua coroação, aboliria a Inquisição e exterminaria seus agentes.
Isto bastou para irritar os inquisidores contra o príncipe. Dedicaram suas mentes a maquinar uma vingança, e decidiram destruí-lo.
Os inquisidores empregaram todos os seus agentes e mensageiros para esparzir as insinuações contra o príncipe, e, ao final, suscitaram tal espírito de descontentamento entre o povo, que o rei viu-se obrigado a enviar Dom Carlos para fora da corte. Não contente com isso, perseguiram inclusive seus amigos e obrigaram o rei a exilar Dom Juan, duque da Áustria, seu próprio irmão, tio do príncipe, juntamente com o príncipe de Pana, sobrinho do rei e primo do príncipe. Eles sabiam bem que tanto o duque da Áustria como o príncipe de Pana manifestavam uma adesão sincera e inviolável a Dom Carlos.
Poucos anos depois, havendo o príncipe mostrado grande benevolência e favor para com os protestantes nos Países Baixos, a Inquisição protestou estridentemente contra ele, ao declarar que, por serem hereges aquelas pessoas, o príncipe também o era, posto que as favorecia. Em suma, alcançaram tanta influência sobre a mente do rei, totalmente escravizada pela superstição, que ele, por assombroso que pareça, sacrificou os sentimentos da natureza ao fanatismo e, com medo do rancor da Inquisição, entregou seu único filho, ao assinar, ele mesmo, a sua sentença de morte.
O príncipe teve, então, o que se chama de indulgência, isto é, permitiram-lhe escolher o modo pelo qual morreria. Ao modo romano, o desafortunado jovem herói escolheu a sangria e banho quente. Quando lhe abriram as veias dos braços e das pernas, expirou gradualmente, e caiu mártir da malícia dos inquisidores e do estúpido fanatismo de seu pai.
Autor John Fox.
